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Historias de uma vida… |
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Ou…uma vida que dava uma história! |
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Elisabete Simões Malta |
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01-01-2011 |

Reflexão!
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Há dias em que acordamos e sentimos que fazemos parte do universo, outros é totalmente o inverso, questionamos a razão da nossa existência. A nossa mente é poderosa, tanto pode transformar algo insignificante na coisa mais bela, como pode transformar a coisa mais bela em algo insignificante...a mente assim o decide! Quando me olho no espelho , o que é que vejo? Não sei...uma mulher feliz...por vezes infeliz, outras vezes, confusa...e no final de contas...QUEM SOU EU? Eu sou alguém que quer ser feliz...que quer ver aqueles que gosta felizes, eu sou aquela que sofre por não poder ser melhor...sou aquela que queria ser melhor....VENCER! E no final de contas continuo sem saber quem sou eu! Eu que sou filha, irmã, mulher e mãe! Quem sou eu? Serei alguém de bem? tem dias...não sou perfeita...sei que posso ser a criatura mais doce...ou então ser alguém que magoa...e que depois lamenta...mas depois já é tarde de mais...! Adoro os meus pais...temo tanto por eles...amo meu irmãos...são parte de mim...amo o meu homem...com desavenças e tudo o mais ,mas amamo-nos , eu sei...e por último e mais importante...amo a meus filhos...os meus rebentos, o meu tesouro...e para melhor os definir...a minha vida! Por isso olhando o reflexo de mim...eu sou....isto e muito mais ...no final de contas...eu sou alguém que encara a vida como a mais valiosa e complexa herança...o maior de todos os desafios! Alguem que quer viver e sentir se viva...vencer sem haver vencidos...ser feliz olhando a felicidade no rosto de quem amo! Quem sou eu? Eu sou simplesmente...a Beth! |
Retalhos da minha infância.
Menina do campo, fui criada numa casa com quintal convivendo com plantas e animais, tratando deles, semeando e colhendo produtos da terra e fazendo a lide da casa! Também convivi com padres e freiras, adorava ir a missa e mais tarde fui estudar no Colégio Nossa Sra. da Apresentação, (Pelo nome já dá para ver que fui educada para ser meiga e pura, uma verdadeira “anja”.) no ano em que essa instituição passava de seminário a colégio. Hoje sei que por esse motivo fiz historia…fui das primeiras meninas a estudar num espaço que antes era só de homens! Após o colégio onde conclui o sexto ano, iniciei um novo ciclo de vida, menina mulher que por força das circunstâncias abandonava a escola para ir trabalhar, mas nunca abandonaria a esperança de um dia retomar os estudos! Por outro lado, o fato de viver numa casa grande sempre cercada de irmãos, primos e vizinhos estimulou meu espírito de liderança. Das crianças da minha família eu sempre fui a que coordenava o grupo. Rodeada de colegas eu comandava as brincadeiras e travessuras. No quintal de casa eu e meus amigos subíamos nas árvores para apanhar laranjas, figos e ameixas. Também lembro do jogo do ringue...era uma brincadeira divertida onde atirávamos o ringue uns nos outros. Ficávamos doridos mas satisfeitos. Foram tempos lindos! Foram muitas as cenas da minha infância que marcaram a minha memória, entre elas a partida do meu irmão Serafim para a Venezuela quando eu tinha 5 anos...ainda hoje me sinto triste pelo beijo de despedida que na confusão da partida não me deu! Lembro os dias que antecederam a minha entrada na Escola das Cabecinhas...como se fosse hoje. O meu Pai comprou me uma mochila vermelha lápis borracha e afiadeira na loja do ti Claudino! A minha felicidade era tanta, ia aprender a escrever ler e contar...senti me grande e importante! Tive um Professor muito bom, Professor com letra grande de grande homem que era....muito me ensinou, mas também tive uma professora na terceira classe que se babava de tanto ralhar. os meninos tinham medo e um fez xixi nas calças e sapatos...ela mandou lhe os sapatos para a rua da janela do primeiro andar! Lembro as conversas tidas a lareira com a minha mãe nos serões de inverno quando me sentava no seu colo e ela apesar de muito cansada me acarinhava e me pedia ....as minhas beijocas grandes!Lembro o meu pai quando regressava a casa pela noite dentro vindo de mais um dia árduo de trabalho nas marinhas do sal , que sempre trazia para além de um sorriso...um pão que eu adorava! Lembro o cheiro da sopa de feijão na lareira da cozinha, a aletria feita pela mana gina e o primeiro beijo que dei escondida atrás da porta da casa. Lembro que eu tinha treze anos e fui a casa dos meus primos. Eu e o Akim, que tinha a minha idade, nos escondemos juntos e lá aconteceu meu primeiro beijo. Actualmente porém, de todas as cenas de minha infância uma tem estado constantemente presente no meu pensar, a minha avó regressou de França quando eu estava para nascer, talvez por isso o carinho especial que tenho por ela! a gratidão pelas suas palavras sábias, pelo constante apoio e amor, pelo exemplo de coragem que me transmitiu ao lutar anos a fio com a sua doença! Sabia que era uma luta quase sem esperança...mas nunca desistiu! Essa a força que me ajuda também a continuar a lutar...dia após dia!
Quando eu era adolescente….
É habitual falar-se da adolescência como um período difícil, pelo qual não se deseja passar uma segunda vez. Eu acho que ela é uma etapa da vida extraordinária: tudo muda de forma súbita e nós tentamos encaixarmo-nos num novo mundo que não é mais o mundo fechado das bonecas e dos carrinhos de brincar, mas que também ainda não é o mundo verdadeiro e cruel em que vivem os adultos. È uma espécie de limbo ao qual estamos condenados antes do baptismo de fogo que será o assumir de responsabilidade. Olho para esse meu limbo com uma certa nostalgia, apesar de ter passado toda a minha adolescência na ilusão de que, quando esta terminasse (e eu queria que ela terminasse logo) , lá pelos dezoito anos, eu poderia fazer o que bem entendesse sem ter de dar satisfações a ninguém. Doce ilusão! Tinha mais liberdade então do que agora. O que recordo da minha adolescência? Muitas coisas, coisas iguais àquelas que a maioria dos ex-adolescentes recorda: a primeira menstruação (veio tarde...aos treze); as mudanças no meu corpo, entre as quais uma que me obrigou a comprar uma nova peça de lingerie e outra que me obrigou a começar a passar por um ritual de tortura vulgarmente chamado depilação; a preocupação com o peso, porque tinha de caber naquela peça de roupa que todas as outras raparigas usavam e porque os rapazes gostavam mais de raparigas esguias; a pequena borbulha que nascia na ponta do nariz parecendo uma cratera de vulcão e fazendo de mim o ser mais feio do planeta; as eternas negociações com o meu pai quando queria sair para aqui e para ali e ele achava que eu ainda era muito novas para ir ao baile ou sair com os amigos, ou para chegar depois da meia-noite a casa (justamente quando a noite começava) ou para dormir fora de casa, mesmo que fosse na resguardada casa de uma amiga; o meu casamento (dele falarei noutra ocasião), do primeiro beijo (nesse já falei), do primeiro namorado (doce lembrança). E no meio disto tudo a vida no mundo rural, que os pais entendem como um local de trabalho, onde nos preparamos para a vida adulta, mas que era para nós sobretudo o espaço social onde nos movíamos e a partir do qual construíamos o nosso ainda pequeno mundo. Mas o nosso mundo já não era definitivamente o da família. Entre sonhos ilusões e realidade, foi nesta fase da minha vida, aos 16 anos que tive o meu primeiro EMPREGO (pois trabalho já eu tinha tido muito!), fui contratada (pelo meu Irmão que era um dos donos) para trabalhar num bar que se chamava "Solar tropical" que ficava na freguesia de ponte de Vagos. Experiencia interessante onde aprendi não só a trabalhar atrás de um balcão mas também...a ouvir e a partilhar alegrias e tristezas dos clientes, aprendi a controlar o meu génio (não se pode dizer sempre o que se pensa)! e senti me...independente, afinal já tinha um emprego e mais importante que isso... um ordenado!Foi tambem nessa altura que iniciei o namoro com quem mais mais tarde viria a casar, casamento esse que viria a acontecer em Agosto de 1993, dia da festa da minha aldeia….eu com um lindo vestido branco, com 17 anos e os sonhos todos na minha bagagem…sem saber o que me esperava! O casamento foi um dos mais marcantes acontecimentos na minha vida. Vivi alguns momentos bons…outros maus e muitos que não quero lembrar. Mas foi tambem pelo casamento que acordei de vez para a dura realidade da vida! Anos difíceis passei , paginas tantas (como tantas foram as lágrimas!)escreveria sobre este tema mas, não vou chorar nem falar mais sobre algo que nunca valeu a pena.
É duro ser adulto…
Os sonhos deram lugar, a desilusão, a tristeza e á resignação. O príncipe encantado era afinal um ogre e eu uma criança, que nunca tinha sido, era agora…uma mulher. Nessa condição encarei as dificuldades, enganos, agressões e desilusões como algo natural, por isso e esperando dias melhores arregacei a s mangas e fui á luta. Trabalhei duro. No café dos pais dele o café oliveira na Choca do Mar, onde para alem de servir os clientes incentivei e auxiliei a minha ex sogra a criar um pronto a vestir, que se veio a revelar muito lucrativo. Eu Fazia as compras nas revendas, discutia preços e controlava stoks. Mais tarde arranjei emprego na lavandaria Lenimar em Ponte de Vagos, onde trabalhei 7 anos como engomadeira. Tinha a lavandaria á minha inteira responsabilidade visto que eu sozinha tinha que atender os clientes, fazer os pedidos de material, registos de clientes e cobranças para alem do trabalho normal de lavar e engomar! Ao fim de 1 ano de casada fiquei grávida da minha filha Viviana , a 27/11/1994 ás 10:25 nasce com 3.870 KG o meu primeiro grande tesouro! Eu era enfim mãe e dediquei me a essa tarefa de alma e coração! Cresci mais um pouco como mulher e tinha nela finalmente um motivo para viver! Após o nascimento da Viviana comecei a planear a minha casa, pois ainda vivia com a sogra (sogra mesmo, com tudo que este nome nos faz lembrar de mau!). Cada detalhe daquela casa foi pensado e desenhado por mim. Para alem de carregar muitos baldes de massa telhas e tijolos também fiz os orçamentos, escolhi materiais e decorei cada canto do que era o meu grande sonho(Que mais tarde me viriam a roubar) a minha casa! A minha vida social era consoante o meu casamento…difícil! Eu sou por natureza extrovertida, muito comunicativa e relaciono me com facilidade, tentando sempre ver o que há de melhor em cada pessoa. No entanto o meu Ex era o oposto, isso junto com ciúmes doentios afastava todas as possíveis amizades e mantinha me isolada, dificultando assim a minha evolução e desenvolvimento pessoal! Dificultando mas não impedindo, como irei relatar mais á frente, porque apesar de tudo eu nunca abdiquei da minha personalidade e lá no fundo nunca desisti…DE MIM! Em 05/03/1998 as 21:38 nasceu com 3.330 Kg o meu segundo tesouro…o meu filho claudio! Nessa altura deixei o meu emprego para me dedicar somente aos meus filhos! Claudio nasceu com uma hérnia e teve que ser operado, mais uma vez sofri mas estive sempre ao lado dele e hoje é um diabrete muito saudável! Como o meu Ogre entendia que a lide de casa, ajudar no café dos pais dele e cuidar de dois filhos era demasiado descanso…”convidou me “ para nas “horas vagas” trabalhar com ele na firma de construção que já referi. Por falar nisso, e para alem das competências tão bastas que adquiri na firma tais como; prospecção de mercado, contacto com fornecedores, compras, contabilidade até trabalho manual ao lado dos empregados tais como fazer baldes de cola para aplicar mosaicos, Fiz tanta cola que um dia levei com um balde cheio nas pernas, não que o balde te tivesse virado ou fosse demasiada cola mas sim porque “ele” no meio de uma discussão, muito carinhosamente mo atirou ás pernas…devia ser má empregada(mal empregada nele…toda a gente dizia que eu era)! Por motivos óbvios despedi me da minha própria firma e voltei a assumir funções na Lavandaria. Em 2004 fiquei grávida do meu tesourito mais pequenito! Foi em Agosto e o meu Ex. marido não queria, eu segui em frente com a gravidez. O meu menino estava dentro de mim, se os outros não o queriam…era só meu então! Foi uma gravidez de risco, foi um período muito difícil para mim, mas quem sabe se não foi o motivo…de hoje ser finalmente livre! Roberto nasceu com 2.730 kg, foi lhe diagnosticado Toxicoplasmose, mais um contratempo, mais um enorme sofrimento, com pouco ou nenhum apoio do pai! Mas tambem essa guerra foi vencida! Ao fim de muitas lágrimas, orações e o trabalho de uma excelente equipa medica o roberto conseguiu vencer a doença! O Roberto conseguiu mas a depressão que sempre me acompanhou durante o casamento dominou me completamente! Perdi o apetite, a energia para fazer fosse o que fosse, só queria estar perto do meu filho. Despedi me da Lavandaria e arranjei emprego num stand que era mais perto de casa para poder ficar mais tempo com os meus filhos em especial o roberto. No Stand IMPORVIATURAS trabalhei 3 anos, Preparava as viaturas para serem entregues aos clientes, tratava de todos os actos burocráticos relacionados com as mesmas e geria todo o trabalho com as oficinas, o que incluia a gestão das peças em stock, a comprar ou entregues para reparação as oficinas. Mas o casamento que nunca esteve bem foi ficando insuportável, a depressão estava no seu auge, Toda a dor acumulada durante anos veio ao de cima e eu senti me…perdida, perdi tambem o meu emprego! Perdi o que restava da minha auto estima e sinceramente julguei não recuperar! Durante meio ano…nem sei se vivi! Mas lenta e decididamente eu começava a lutar para abandonar tudo o que só tinha sido sofrimento! A pouco e pouco decidi me a lutar por mim, pela minha felicidade que era tambem a dos meus filhos! Ia sair de casa (que entretanto tinha descoberto que não era minha. Pois não sei como mas legalmente algo que eu construi de raiz ao lado dele…estava registado como sendo uma doação dos pais dele…só para ele!)Ia e fui! Sai em Janeiro de 2010, aluguei um apartamento e na bagagem levei pouco mais que as minhas roupas, mas trouxe o mais importante para mim e na realidade o único de positivo que o casamento me deu…os meus três tesouros! Como disse antes sai de casa em Janeiro com os meus filhos e mudei me para um apartamento alugado. Em Março consegui o divorcio por mutuo acordo, ele fica um fim de semana com os filhos de quinze em quinze dias mas so com os dois mais novos pois a viviana por se sentir rejeitada pelo pai e por saber o motivo da minha saída de casa nunca mais falou com ele! Muito importante em todo este processo doloroso foi a ajuda da minha irmã Gina e de uma amiga bombeira a Jacinta, que muito me apoiaram e incentivaram! Através dessa amiga conheci o irmão que também é Bombeiro e também estava separado! Primeiro veio a empatia, a amizade e quando dei por ela…estava apaixonada! Em Setembro de 2010 convidou me para pela primeira vez passar mos um fim semana juntos, num sitio lindo…maravilhoso, nas Berlengas! Ai nessa ilha envolta pelo Oceano que sempre partilhou as minhas lágrimas recebi em paz e repleta de felicidade a sua declaração de Amor! Hoje vivemos juntos com os meus filhos , Américo…o meu homem, tem uma filha a Cátia que tem 18 anos vive com a mãe mas vem visitar nos! De novo voltei a sorrir! Um sorriso tímido é certo, porque o triste passado ainda dói e o futuro é uma incógnita! Mas sou livre! Amo e sou amada! Ouso sonhar de novo! Sinto as forças do corpo da alma e do coração a voltarem para mim! A minha Família apoia me nesta minha nova vida e parecem me mais felizes…talvez porque me vêem mais feliz! De novo traço projectos na minha mente, redesenho o futuro! Tambem se hoje me encontro prestes a concretizar mais um sonho que era…estudar, foi porque ele me encentivou e apoia! Pois como ele diz eu posso ser o que quiser só tenho mesmo de querer! E eu quero e digo…ainda só agora comecei mas sei que vou conseguir! Ainda estou desempregada mas já tenho planos nesse sentido e para quem esta a ler este meu dossier fica esta promessa que para mim é um desafio; voltaremos a encontrar nos…para o RVCC 12º ano!